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Valve à todo vapor na sala de estar

07 October on Blog, Editoriais  

A Valve sempre foi bastante proativa com Steam, seu sistema de distribuição digital – ele surgiu anos antes de outros sistema semelhantes para vender jogos pela Internet, e continua ganhando novidades todo ano. As mais recentes novidades aconteceram em três anúncios seguidos para mostrar que a empresa está apostando seriamente em conquistar a sala de estar – e consequentemente concorrer diretamente contra consoles.

Alguns anos atrás eu comentei que o Google deveria fazer uma compra ousada como aconteceu com o YouTube e tentar fazer o mesmo com o Steam – apesar das chances de Gabe Newell querer vender a empresa fossem quase nulas. Minha ideia era expandir o sistema para abrir portas para desenvolvedores indies através de um sistema de comunidade para divulgar e testar jogos. O Greenlight surgiu no ano seguinte, um tanto diferente da minha proposta, mas ainda interessante. O anúncio tríplice da Valve chega em uma hora extremamente oportuna tanto para a empresa quanto para os consumidores – e abre portas para que o PC possa competir diretamente no lucrativo segmento de aparelhos que conectam à TV.

A primeira parte do anúncio foi o Steam OS: um sistema operacional baseado em Linux que roda alguns dos jogos nativamente, enquanto os demais (para Windows e Mac) podem ser rodados por streaming de um computador dentro da sua rede local. Detalhes sugerem que ele rodará apps como Netflix e será fácil de operar como um console, facilitando o uso ao mesmo tempo que traz toda sua biblioteca ao conforto da TV.

A segunda parte foram as Steam Machines – uma espécie de padronização para criar máquinas que funcionem bem nesse sistema operacional. Isso me lembra muito o que Trip Hawkins, fundador da EA, tentou fazer com o 3DO, mas uma versão ainda mais aberta. A iniciativa da Valve é ainda mais aberta e com menos compromissos financeiros, e com uma biblioteca invejável até para consoles atuais.

controllerA última parte, e talvez a mais curiosa, foi o controle proprietário que a Valve planeja vender, cujo objetivo é criar um híbrido que permita controlar jogos tradicionais de PC baseados em mouse e teclado, assim como oferecer uma alternativa para controles de console.

A união desses três elementos permite aos usuários recriar os principais elementos dos consoles: facilidade de conectar à TV e se encaixar na sala de estar, interface simples e direta, corte de elementos desnecessários para baixar custos, APIs de contatos/conquistas e controle intuitivo. Mas como eu sugeri, alguns outros elementos do timing da Valve não poderiam ser melhores.

A primeira grande mão na roda é o fato de dois dos novos consoles, o PS4 e o Xbox One, passarem a usar CPUs da família x86 – tornando o porte de jogos para PC muito mais simples e direto. Além disso, o API Mantle da AMD oferece uma alternativa que não depende de Windows ao uso de DirectX – e como é baseado no mesmo hardware dos consoles citados, novamente facilita portes. É verdade que os protótipos anunciados pela Valve usam GPUs da NVIDIA, mas ainda assim é uma boa ajuda para os desenvolvedores. E apesar da Nintendo e Sony tentarem abrir as portas para os Indies (ao contrário da Microsoft), o Steam ainda é a maneira mais fácil entre eles para publicar jogos.

Ainda não sabemos como funcionará exatamente o sistema de streaming do Steam OS, mas existe talvez fosse possível até criar uma versão simplificada que depende de outro computador, permitindo a criação de uma Steam Machine pelo preço de algo como um Apple TV, mais barato que os novos consoles. Outros pequenos incentivos, como o plano de Family Sharing, Wish List, Badges, Gifts e Workshop só dão mais razões para adoção.

Como o Steam oferece muito mais facilidade na certificação, agilidade para atualizações e royalties menores – e nenhuma necessidade de pagar por kits de desenvolvimento. Essas razões certamente vão atrair desenvolvedores grande e pequenos, ainda mais nessa era em que se vê necessidade de aumentar preços, afogar consumidores com DLC e criar mecanismos como Online/Season Pass, qualquer aumento na margem será atraente.

Ainda é cedo para dizer se as Steam Machines terão a mesma penetração dos consoles – mesmo sem repetir alguns dos erros do 3DO, elas ainda sofrerão com alguns outros, como não oferecer tanto suporte de desenvolvimento e marketing. Mas uma nova alternativa sempre é bem-vinda, nem que sirva apenas para aumentar a competitividade.

Esta postagem também está disponível em: Inglês

Author, freelance videogame journalist, cinematography major and a little insane.

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