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Sempre online… nem sempre pensando no consumidor

19 April on Blog, Editoriais  

Imagino que a maioria de vocês viram as desventuras de Adam Orth no Twitter (afinal de contas, o cara até conseguiu seu próprio meme). Sei que estou chegando atrasado à festa, mas queria adicionar algo que senti falta em todos os comentários que vi até agora. No geral elas se enquandram em defesas discretas, defesas apaixonadas ou ataque diretos (até de brincadeira)... mas alguém parou para pensar logicamente nos prós e contras dessa estratégia de exigir uma conexão online?

Na minha humilde opinião, o maior erro potencial pode ser o mesmo cometido pela Blizzard e Maxis com Diablo 3 e SimCity, respectivamente: eles não implementaram isso no interesse do consumidor. O que cada um deles realmente adicionou aos títulos que não pudesse funcionar com uma conexão intermitente? Basicamente evitar trapaceiros e servir como DRM adicional para evitar pirataria. As funcionalidades para o jogador poderiam muito bem continuar sem exigir conexão constante - a Casa de Leilão em Diablo e as Vizinhanças em SimCity. Então no fim das contas o requerimento era mais para o benefício do desenvolvedor/distribuidor... enquanto o consumidor precisa lidar com o ônus de não poder jogar em uma viagem de avião ou durante um engasgo na Internet - e isso nem leva em consideração os problemas de servidores: outro dia mesmo eu jogava Tomb Raider no meu Xbox 360 com Cloud Save e o jogo travou em um checkpoint por conta da queda da Xbox Live por algumas horas - tanto Diablo quanto SimCity tiveram seus problemas sérios no lançamento por conta disso.

Agora, dada as estratégias passadas e atuais da Microsoft, não é difícil imaginar que uma exigência de conexão constante para seu Novo Xbox poderia se dever a algumas coisas previsíveis: a constante preocupacão com pirataria e DRM (que poderia incluir toda a polêmica de jogos usados), mas eu acho que existe algo mais importante para eles. Estou falando da sua plataforma de serviços. É só dar uma olhada em quanto da dashboard atual do Xbox é composta de publicidade. O pedaço principal da tela inicial tem sua maior parte dedicada a isso... e mais da metade da interface inteira é dedicada a funcionalidades externas ao sistema. Anúncios de novidades, anúncios que sequer são relacionados ao videogame, destaques de novos Apps - que, por sinal, provavelmente são um belo filão de receita para a Microsoft, visto que muitos exigem uma conta paga Gold e a empresa deve receber retorno de parceiros como Hulu e IGN. Ou então olhe para a nova tela Iniciar do Windows 8 com suas Live Tiles e novas versões de Minesweeper e Solitaire com publicidade dinâmica embutida. Se a Microsoft realmente exigir uma conexão online constante, as chances são que o intuito é maximizar essa clara fonte de receita.

Se esse for o caso, então... sim, vocês podem contar que eu vou boicotar o próximo Xbox. O requerimento online seria basicamente para garantir que a Microsoft possa maximizar sua capitalização da plataforma - e isso eu não aceito. Mas talvez eu esteja errado. Talvez eles estejam adicionando funcionalidades pensando na experiência do consumidor. Talvez existem APIs nativas em jogos para permitir conteúdo dinâmico (que não é publicidade). Imagine se até uma campanha single-player pudesse ser afetada pelas ações de terceiros: economias sujeitas às flutuações de mercado; destraváveis que são ditados por ações globais; histórias interativas que refletem nas decisões de todos os jogadores em tempo real. Ou talvez até mais, o céu é o limite para a imaginação, e garantir aos desenvolvedores que seus jogos sempre estarão online lhes permitirá maximizar isso corretamente, ao invés de ter que garantir ambos cenários online e offline - o que certamente fará eles priorizarem o offline. Journey, o garnde sucesso indie da PSN, mostrou como um cenário online transparente pode surpreender e maravilhar o jogador. Imagine isso levado a um novo nível.

Com sorte, não será preciso esperar muito mais. Parece que a Microsoft vai revelar sua estratégia já em maio, e até existem rumores de que o requerimento online sequer estará lá. Mas meu argumento permanece: exigir uma conexão online não é inerentemente certo ou errado - o que lhe dá essa característica é se é feita com base nos interesses da Microsoft e seus parceiros, ou na experiência do usuário.

Esta postagem também está disponível em: Inglês

Author, freelance videogame journalist, cinematography major and a little insane.

Comments

  1. onslaught says:

    Microsoft pensando no bem do usuario? Aham.. senta lá claudia!!!!!
    Exigir um acesso constante à internet é excluir o Brasil dos planos do XBOX!!!

    E mesmo que, como citado, os planos desse acesso fossem para exagerar na publicidade empurrada goela abaixo nos players, isso nunca seria dito abertamente!

    Enfim, terei um PS4 e um computador em stand by ^^

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