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O futuro dos consoles: um novo Crash à vista?

25 February on Blog, Editoriais  

Parece que eu gosto de gritar "Lobo!" Não quero soar alarmista demais, mas esse mercado está me deixando cada vez mais nervoso nos últimos meses. Nós vimos a ascenção e queda dos Jogos Sociais em um curto espaço de tempo, e eu previ isso desde o começo que as práticas predatórias da Zynga levariam a isso. Eles tiveram sorte de estar no lugar certo na hora certa, mas ao invés de cultivar sua mina de ouro, eles decidiram esgotá-la o quanto antes, maximizando lucro enquanto feriam o bem-estar do próprio mercado. Não que todos sejam como a Zynga - mas certas tendências podem resultar em problemas similares.

Watch Dogs - um dos jogos que borra a barreira entre as gerações

Watch Dogs - um dos jogos que borra a diferença entre as gerações

Existe muita pressão dos distribuidores de jogos para lançar consoles novos e mais poderosos. A Square Enix e a Epic estavam entre os que exigiam mais poder nas plataformas como mencionei, assim como EA e Ubisoft colocaram pressão para adiantar a nova geração para revitalizar vendas. Entretanto, já estamos vendo jogos de Wii U sendo cancelados por vendas baixas do console (apesar do fato dele ter rendido mais vendas que o PS3 e o Xbox 360 no mesmo período de seus lançamentos). Ao aplicar essa lógica, me preocupo com o que o futuro guarda.

Parte da razão desse cenário vem de observações de gerações anteriores - historicamente, as primeiras gerações receberam muitos benefícios dos saltos para novas plataformas: um aumento no interesse dos consumidores traduzia-se em vendas com facilidade. Mas existem algumas diferenças muito importantes dessa vez. Uma pequena é que a maioria das empresas está lançando a nova geração quase simultaneamente, e não sincopado como vimos entre a quarta e quinta gerações - é muito mais fácil notar um grande salto quando o competidor ainda está no meio do ciclo (lembram de quanto tempo o NES segurou com o Mega Drive até o lançamento do Super Nintendo?). E agora que os consoles se tornaram as plataformas originais de desenvolvimento dos jogos mais vendidos dessa geração (mudando o foco do mercado de PC), eles também desaceleraram os padrões gráficos de desempenho no computador. Novamente, não é exatamente algo grande, mas com o advento do sucesso do Wii, é difícil não se perguntar quão necessário é um grande salto visual de 3D, já que o PC perdeu seu maior diferencial com isso. Certamente não foi algo que afetou tanto as vendas - Halo e Call of Duty venderam muito melhor do que Crysis, apesar dos gráficos menos impressionantes. E com cada geração, uma porção cada vez menor de consumidores é capaz de notar a diferença.

Cada vez mais o mesmo grau de avanço visual é menos perceptível

Cada vez mais o mesmo grau de avanço visual é menos perceptível

Só que esses são detalhes menores. Os distribuidores esperam um enorme furor com o lançamento dos novos consoles, e um aumento da noite para o dia das vendas (como notamos pela decepção com o Wii U mencionada acima). Isso funcionou muito melhor quando todos eram jogadores hardcore, mais envolvidos com o aspecto técnico. Mas com a expansão do mercado nessa última geração, o "Early Adopter" não está nem perto da fatia de marketing que essas empresas esperam conquistar de cara. Aliás, os números mainstream de jogos como Halo e Call of Duty só se fizeram possíveis depois que as plataformas estavam baratas o suficiente para que todo moleque na faculdade conseguisse comprar um. Até a Nintendo subiu seus preços com uma máquina com especificações da geração atual. Os distribuidores realmente esperam que essas máquinas mais caras voem das prateleiras tão cedo?

O primeiro PlayStation durou um bom tempo no ciclo do PS2, assim como o PS2 ainda estava vendendo até recentemente. O Xbox original teve sua produção interrompida devido à ação legal da nVidia, e o GameCube falhou em conseguir tração, então o PS2 foi a única plataforma a sobreviver à transição na geração atual. Mas dessa vez tudo indica que os três aparelhos vão durar anos dentro da próxima geração (como podemos ver nos números do Wii vendendo melhor que o Wii U, mesmo estando defasado em duas gerações de gráficos).

Para piorar as coisas, continuo ouvindo relatos de jogos da janela de lançamento que vão aparecer simultaneamente na geração atual e na nova. Isso me parece uma maneira péssima de convencer as pessoas a comprar um videogame novo. Eles se perguntarão "por que gastar dinheiro em um aparelho novo se posso ter a maioria dos jogos no atual?" Com os consoles atuais muito fortes, o apelo de atualizar será menor, e todos nós lembramos como o preço do PS3 atrapalhou seu lançamento - e isso nem era durante uma recessão.

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Sony: já vivendo de abstratos desde o lançamento do PS2

Então agora sabemos que não apenas o PS4 e o próximo Xbox devem chegar às lojas mais ou menos ao mesmo tempo, competindo pelos dólares do Natal, mas agora surgem relatos da impossibilidade de transferir vendas digitais da PSN e falta de retrocompatibilidade - e dado o estado das funcionalidades de rede que a Sony exibiu parecerem não estar prontas, os incentivos vão desaparecendo com extrema rapidez. Se as pessoas não estão acreditando no Wii U, alguém acha que a adoção das alternativas mais caras será melhor? E já que os jogos custarão mais para serem feitos, provavelmente teremos mais DLC para compensar esses custos - e para piorar, a Electronic Arts confirmou em sua conferência de acionistas que espera aumentar o preço dos jogos para $69, repassando o aumento dos preços para o consumidor. Ou seja, se os distribuidores já estão desistindo do Wii U, o que vai acontecer depois se não abraçarem os outros dois? Eles vão se contentar com o PS3 e o Xbox 360 e desistir da nova geração que insistiram tanto em lançar cedo?

Eu sei que me preocupo demais, mas a indústria de jogos está em desarranjo. As batalhas erradas foram lutadas, e as empresas tem cada vez menos opções. A guerra ainda não está perdida, mas o fato é que os acionistas hoje em dia estão tão obcecados por flutuações quase instantâneas do valor da empresa, tomando decisões de curto prazo que apenas prejudicam a todos. É fácil exigir resultados agora e perder a perspectiva que a existência de toda a indústria pode estar em jogo... algo que prejudica a nós, jogadores, muito mais do que fere o portfólio deles.

Esta postagem também está disponível em: Inglês

Author, freelance videogame journalist, cinematography major and a little insane.

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