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Nintendo: fazemos as coisas da NOSSO jeito

24 August on Blog, Editoriais  

Estou muito contente que Chris Kohler se pronunciou sobre meus sentimentos a respeito de todo aquele papo de que “A Nintendo deveria produzir apenas software, ou pelo menos investir no Mercado de jogos para celular.” Isto ocorreu devido, para os que não ouviram falar, a este app de Pokémon que será lançado na App Store da Apple.

Antes de qualquer coisa, um breve esclarecimento: como o artigo menciona, a Pokémon Company não é a Nintendo, mas sim uma empresa afiliada criada para cuidar das várias propriedades da franquia como quadrinhos, programas de TV, filmes, merchandising etc. Não é nem como se a Nintendo tivesse desenvolvido o software ela mesma.

Então, vamos colocar os pingos nos is: isto não é um sinal de nada, não é uma tendência e com certeza não está relacionado aos problemas atuais do 3DS. Compartilho do ponto de vista de Kohler's: a força da Nintendo sempre veio de sua singularidade. Na verdade, seu sucesso recente com o Wii e o DS é quase inteiramente devido a sua coragem de ser diferente: a Estratégia do Oceano Azul para crescer num mercado estagnado. Está bem, vocês todos podem baixar as mãos: sim, o mercado de celulares também explodiu, mas enquanto ele pode ou não ser uma bolha, é fato que trata-se de um ecossistema complexo e brutal.  Não surpreende que a Apple em si não esteja produzindo jogos ela mesma: enquanto é bastante lucrativo manter a App Store e tirar proveito máximo dos provedores de conteúdo, fazer dinheiro como um desenvolvedor tem provado ser complicado e extremamente imprevisível.

Agora, tente encaixar produtos da Nintendo na App Store e um monte de problemas começam a aparecer: tais produtos não chamariam atenção nem PERTO do tanto que o fazem em suas plataformas originais… e isto é só o começo. Como diz Kohler, a Nintendo calibra seu hardware meticulosamente para seu software – a Apple força limitações draconianas para todos os provedores de conteúdo sem dó. E enquanto o system de produção da Nintendo tem custos bem baixos, eles iteram protótipos sem parar – presumo que entre a hora que começam a mexer num conceito até a hora que entregam um produto pronto, a Apple terá passado por 3 atualizações grandes do iOS e pelo menos 2 revisões do iPhone (é verdade que isso pode ser dito de seu próprio hardware, mas pelo menos podem planejar bem melhor analisando seu mapa de projetos de hardware).

Você consegue sequer imaginar a Nintendo tentando se curvar ao estilo simplista de software que as pessoas consomem na App Store? Embora ache que são desenvolvedores bem capazes, para mim seria o mesmo que pedir a Beethoven que compusesse heavy metal, ou a Leonardo da Vinci que desenhasse um afresco impressionista – não estou julgando valores aqui, mas o fato é que seus métodos foram criados pensando em outros estilos.

Então, no fim das contas, o que desenvolver para a App Store (ou qualquer outro Mercado especializado em celulares) quer dizer para a Nintendo?

  • Uma concorrência bem maior e menos meios de se destacar
  • Nenhum controle sobre hardware; limitações externas de software
  • Público instável com um foco bem restrito em experiências limitadas (rápido e barato é melhor)
  • Abrir mão de oportunidades emergentes de inovação

Embora ache que o exemplo de Kohler da Sega não seja diretamente análogo, ainda ilustra muito bem os problemas envolvidos. Neste caso, a Apple encontrou uma boa oportunidade e aproveitou – mas não estou tão certo de que estão motivados a manter jogos como uma prioridade no longo prazo: são conhecidos por criarem obsolescência planejada e desistir de produtos que considerem não valer a pena sem aviso – poderia citar vários, mas o Front Row é um exemplo que ainda está na memória recente daqueles que acabaram de migrar para o Mac OSX Lion. A Nintendo, por outro lado, faz o oposto exato: estão muito preocupados com o future dos videogames. Eles tem constantemente lutado para que a indústria não se prendesse numa armadilha ou criasse circunstâncias insustentáveis.  Afinal, eles sozinhos desfizeram a Crise dos Videogames Norte Americanos dos anos 80!

Claro, muita coisa mudou, e a Nintendo não tem nada de santa: contribuíram na intimidação dos desenvolvedores de software na época do Famicom, mas eles ainda veem os videogames não só como seu futuro, mas como um ofício que deve ser preservado e bem cuidado. Até agora parecem ter feito um bom trabalho para confiarmos a eles esta mídia tão incrível.

Esta postagem também está disponível em: Inglês

Author, freelance videogame journalist, cinematography major and a little insane.

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