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Entrevista: Nintendo fala sobre seus planos para o Brasil

23 November on Blog, Editoriais  

Com o lançamento do Wii U no Brasil, a Nintendo realizou um evento em São Paulo para divulgar seus novos produtos para o fim do ano. Eu tive a oportunidade de conversar com Michael Amortegui, o novo gerente sênior de marketing para América Latina da empresa. Trazendo as perguntas feita na comunidade Gamers.BR, falamos sobre os planos da companhia japonesa aqui no país.

Existe uma percepção da desconexão da Nintendo com o público brasileiro, que houve uma "era de ouro" na época da Gradiente. A Nintendo está fazendo algo para recuperar esse nível de participação, com produção local de hardware e uma maior presença da empresa no país?

Michael Amortegui: Estamos sempre buscando opções, alternativas, soluções. É algo que estamos investigando. O Brasil é extremamente importante - assim como os fãs brasileiros. Nenhum anúncio hoje sobre isso, entretanto.

Como os impostos brasileiros atrapalham a operação da Nintendo no Brasil?

Michael Amortegui: Não posso especular sobre os impostos e legislações do país, mas o que acho importante é que estamos trazendo um valor incrível para os consumidores brasileiros - não apenas em termos de preço, mas também com nossa biblioteca que faz do Wii U a melhor opção para o jogador.

Mas como os impostos afetam a Nintendo?

Michael Amortegui: Trabalhamos com todos os envolvidos e continuaremos fazendo isso, mas a boa notícia é que o Wii U e o preço dele é, na nossa opinião, um fantástico custo-benefício para o consumidor. O bundle brasileiro vem com o Super Mario Wii U com a expansão do Luigi inclusa no pacote 32GB.

Localização - a pergunta mais frequente da comunidade - a Nintendo tem um público alvo extremamente variado, com muitas crianças, homens, mulheres, idosos - por que a Nintendo é a única produtora de hardware que ainda não localiza os jogos no país?

Michael Amortegui: Localização no Brasil é algo extremamente importante para nós. Por que? Porque é extremamente importante para nossos fãs no país. Estamos ativamente e agressivamente buscando soluções, e eu sou parte desse esforço. Não tenho nada para anunciar hoje, mas estamos lidando com isso e planejamos lidar com isso mais no futuro.

Nos últimos eventos e lançamentos de Pokémon provam que a série ainda é popular aqui no Brasil, mas quase todos os presentes tinham mais de 20 anos - ao contrário das muitas crianças que você vê nos EUA ou Japão. A Nintendo tem algum plano para conquistar mais agressivamente o público infantil aqui?

Michael Amortegui: Vocês devem ter acompanhado no resto do mundo o lançamento do Nintendo 2DS, que chegará por aqui em 2014 - mas não temos uma data específica ainda - mas traz o preço perfeito para quem está curioso sobre videogames. Seja uma criança que joga em um celular ou tablet do pai, ele é perfeito para quem busca uma experiência mais profunda.

Entendo, mas eu notei que o DSi XL é um dos aparelhos mais comuns por aqui entre crianças - não é exatamente uma análise de marketing elaborada, é algo que venho pesquisando em pequena escala - ele é meio comprado como um brinquedo, dado unilateralmente para a criança, mas não vejo jogos sendo vendidos. Não vejo crianças querendo jogos da Nintendo. Você sente que a Nintendo está conseguindo de fato se comunicar com o público? Soltar um produto fantástico não é o suficiente se as pessoas nem sabem que ele existe.

Michael Amortegui: O que é incrível no 2DS é o custo-benefício e o tamanho menor dele, que é excelente para crianças. E ele tem milhares de jogos de DS que rodam nele, além dos incríveis jogos de 3DS, como Zelda: A Link Between Worlds. Mas você quer saber mais sobre publicidade e comunicação, certo?

Sim

Michael Amortegui: Essa é uma área que planejamos agir mais, é o primeiro de muitos passos que temos em mente, para uma presença maior da Nintendo do que você viu no passado por aqui.

Uma das ações mais comemoradas da Nintendo é o programa Club Nintendo - que serviu não apenas como um excelente plano de fidelidade, mas também me parece ser uma maneira incrível de conseguir feedback dos fãs. Alguma chance de ver algo similar no país?

Michael Amortegui: É algo que exploramos, certamente, mas ainda não temos uma resposta concreta.

A nova legislação de cartão de crédito está impedindo muitas pessoas que creditar suas contas na eShop. A Nintendo está fazendo algo para corrigir isso?

Michael Amortegui: Só para que seu público saiba, encontramos alguns problemas com as novas regulamentações que tem complicado as transações, com algumas sendo bloqueadas e outras sendo taxadas de maneira inesperada, estamos trabalhando com todos os lados envolvidos para resolver isso o quanto antes - pois, como você sabe, o eShop é um recurso excepcional para usuários. Existe muito conteúdo lá; não só os jogos, mas vídeos e trailers. Queremos que isso esteja disponível para o consumidor. Mas no Wii U ainda existe o Miiverse, e muito outro conteúdo online.

Resumindo: sem data específica, mas existe trabalho sendo feito nesse sentido?

Michael Amortegui: Correto.

A NOA e a NCL tem feito um trabalho único de comunicação direta com Iwata Asks e Nintendo Direct, mas aqui no Brasil o foco tem sido em eventos como esse. Qual tem sido a resposta para essa política e existem planos de expandir isso no futuro?

Michael Amortegui: Sim, posso dizer que existem planos de realizar mais eventos, mas também de expandir nossa presença em mídia social. Você deve ter visto os posts sobre o evento, e estamos tentando resolver questões de localização para os Nintendo Direct - algo que queremos fazer e esperamos ter mais para falar sobre no futuro.

Para finalizar, com o final dessa era dos "anos de ouro", desde o retorno da empresa no Brasil com uma distribuição terceirizada, em minhas conversas com consumidores, jornalistas e varejo, existe uma percepção de muito ruído na comunicação e mensagem da empresa aqui no país. Isso se traduz em uma sensação que ouvi de múltiplas pessoas de diferentes ramos que a Nintendo parece encarar o país como um lugar para despejar produtos em uma relação muito unidirecional. Qual sua opinião sobre isso?

Michael Amortegui: O que posso dizer é que estou nesse cargo faz cinco meses e estamos avaliando a questão, não apenas no Brasil mas em toda a América Latina, e posso dizer que enquanto estiver por aqui, farei o que for possível para melhorar a presença e comunicação da empresa. Esse é a promessa minha e da minha equipe - você nos verá aqui mais, e faremos mais eventos, marketing e comunicação no futuro.

Alguma última coisa que você queira dizer aos fãs brasileiros?

Michael Amortegui: O Wii U, esse novo bundle sendo lançado aqui, com Super Luigi U, é um excelente custo-benefício, e com lançamento de jogos como Super Mario 3D World, Wind Waker HD, Wonderful 101, Pikmin 3, assim como os jogos de nossos parceiros, como Assassin's Creed: Black Flag... é um excelente investimento. E para os mais jovens, temos o 3DS com jogos como Pokémon X e Y, que vendeu mais de 4 milhões de cópias em dois dias - e o Brasil teve uma fatia considerável desse número. Então existe um jogo e console para todo mundo nesse fim de ano.

Author, freelance videogame journalist, cinematography major and a little insane.

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