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Dos Indies aos Indies

27 July on Blog, Editoriais  

Acho meio engraçado o “ressurgimento dos jogos indie” pelo qual passamos atualmente.  Claro que, com o preço dos jogos chegando a US$59.99, isso não me surpreende, mas a moda retro está ajudando bastante – já que as pessoas que começaram a jogar nos anos 80 estão agora com 20 e muitos ou 30 e poucos anos, não é nenhuma surpresa que os pixels sejam os novos polígonos.

Acredite, não estou reclamando. Com títulos como Fez e La Mulana aparecendo nos serviços de download dos consoles, eu não poderia estar mais feliz. Mas é nitidamente um caso de “o lixo de um homem é o tesouro de outro” – reparo que muitas pessoas que começaram a jogar com o PlayStation não entendem a graça desses títulos. Mas o fato é que, com o enorme aumento dos custos de produção, os jogos indie parecem ser a solução, mesmo para alguns profissionais experientes. Não é preciso procurar além dos veteranos da LucasArts que agora estão na TellTale. Oras, estão até fazendo uma nova série de Monkey Island!

thumb_MysteryHouseMas o que acho realmente interessante é o fato de ser exatamente dessa maneira que os jogos começaram. Ken e Roberta Williams programando jogos com manuais fotocopiados, dentro de saquinhos de plástico (como "Mystery House", a esquerda) e vendidos em lojas de software locais são apenas um exemplo. Richard Garriott fez Ultima sozinho, e vários outros programadores de garage tiveram suas chances dessa maneira. Tenho boas memórias da época do “shareware”, quando empresas como a Apogee colocava demos de Commander Keen e Wolfenstein 3D no BBSs para pessoas poderem comprar versões completas pelo correio (sim, correio físico).

E então o círculo se fecha, nessa era de PayPals, Internet banda larga e redes sociais, onde as pessoas podem voltar a esse tipo de produção de videogames. Como os jogos comerciais agora custam muito para qualquer Zé ou Maria terem sucesso sem milhões de dólares de financiamento (e, portanto sem serem guiados a rédea curta por editoras sem o menor interesse em nada que não seja completamente mainstream), este novo ecossistema prosperou de maneiras incríveis. Não só temos ferramentas freeware como o AGS, mas também títulos incríveis como Cave Story, além de remakes como FreeCiv. Isto sem nem falarmos de jogos indie comerciais como Braid. Estramos falando de um espectro incrivelmente amplo aqui.

Mas se estes eram a regra durante os primórdios dos jogos, hoje em dia são uma espécie de fenômeno underground, ainda incapazes de atingir o mainstream. Claro, os WiiWares e Live Arcades da vida estão ajudando, mas ainda existe um longo caminho a ser percorrido. Não acho que vão vender mais do que halos ou Marios – mas acho que pelo menos devem receber  atenção similar à de filmes independentes como O Balconista. Isto é pedir demais?

Esta postagem também está disponível em: Inglês

Author, freelance videogame journalist, cinematography major and a little insane.

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