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Como os videogames passaram da nerdice para a popularidade

30 July on Blog, Editoriais  

Posso ter problemas sérios com a maneira como a Sony lida com seu setor de marketing e jogos, mas acho que posso dizer que todos os gamers devem uma coisa a ela: gratidão pelo respeito que ela nos trouxe.

Alguns de vocês podem não entender por complete caso não tenham vivido os anos pré-Playstation, mas videogames já foram sinônimo de “nerd” e socialmente inepto. Claro, parte do estigma permanece, mas as coisas não estão nem PERTO de como eram antes. Acho que todos os gamers de longa data respiraram aliviados ao assistirem a parte do filme “O Virgem de 40 Anos” onde dois personagens trocam insultos mutuamente… possivelmente a primeira representação realista mainstream de duas pessoas jogando videogames. Por mais que procure, em comerciais, filmes ou qualquer outra mídia, pessoas jogando videogames sempre foram crianças de olhos vidrados e bocas abertas em quartos escuros. Sem exceções.

Mas como ocorreu essa transformação? Acredite se quiser, em grande parte graças às estratégias de marketing da Sony no lançamento do primeiro Playstation. Pode se dizer que a Sega tentou um pouco quanto tentou antagonizar a Nintendo, mas era mais uma “apelação do segundo lugar” do que uma estratégia real. Todo seu lançamento viral do ENoS (E Vermelho, ou RED E, que soa como READY-> Ready Ninth of September, data do lançamento do console) com o "U R not E" sendo uma aposta na minha opinião, mas que acabou trazendo grandes mudanças para os gamers.

E devo admitir que merecessem crédito: seu timing foi impecável. Aquela época foi quando a primeira geração de gamers estava se tornando jovens adultos, e, por isso, o Mercado estava perfeito para alguém que prometesse um entretenimento “mais maduro”. Deve se dizer que as propagandas europeias de jogos geralmente estiveram alguns passos a frente das americanas, incluindo algumas incríveis campanhas do PlayStation dirigidas por pessoas como David Lynch, e uma das minhas favoritas(embora tenha sido banida): esta magnífica peça publicitária do Xbox 360.

O resultado interessante disso foi que pessoas que não cresceram com jogos – as que não foram rotuladas como “nerds” deram uma chance aos jogos, e *incrível* algumas pessoas “COOL” estavam jogando Madden Football e alguns outros títulos. Oras, o primeiro comercial americano de Final Fantasy VII mal informava o fato de se tratar de um RPG cheio de texto (o que, além de torná-lo um dos títulos de PS1 mais vendidos, também lhe garantiu a honra duvidosa de ser um dos jogos mais devolvidos às lojas nos EUA depois do E.T e Pac-Man para Atari.

É importante destacar que isto é bem diferente do que o Wii fez. O PlayStation ainda era vendido como um videogame, e foi uma transição para os atuais dormitórios de faculdade cheios de Xbox, Madden e Halos de hoje em dia. O Wii, por outro lado, se disfarçou como algo em que nem deveria se pensar como videogame – mas acho que ele também teve que usar o caminho aberto pelo PlayStation para chegar lá.

Com certeza as coisas mudaram bastante desde então.

Esta postagem também está disponível em: Inglês

Author, freelance videogame journalist, cinematography major and a little insane.

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