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Análise: Chaves Kart

03 June on Análises, Blog  
O jogo captura bem o visual do desenho animado

O jogo captura bem o visual do desenho animado

Chaves já é basicamente uma instituição do humor brasileiro. A série de comédia mexicana abraçou seu baixo orçamento, transformando seus recursos limitados em risadas para múltiplas gerações nesses 20 anos. O personagem de Roberto Gómez Bolaños ganhou seu próprio jogo de corrida de kart, inspirado nos mesmos moldes de Mario Kart, para PlayStation 3 e Xbox 360. Aqui, o baixo orçamento não é tão hilário, mas ainda existe um charme escondido por debaixo dos problemas de produção.

Qualquer pessoa que já tenha jogado um clone de Mario Kart sabe o que esperar: pistas e itens malucos em corridas frenéticas, que se provam ainda mais divertidas quando há vários jogadores presentes. Cascos e bananas são substituídos por itens mais mundanos como bolas de praia, jornais e buzinas – a maioria seguindo os mesmos arquétipos, mas com algumas surpresas apropriadas, como o travesseiro de defesa. A resposta deles é um pouco menos elegante do que a esperada, mas o típico frenesi do gênero faz isso não ser um problema sério.

O Brasil aparece em destaque em algumas pistas do jogo

O Brasil aparece em destaque em algumas pistas do jogo

O grande destaque fica por conta das pistas, que como no caso dos personagens aposta no saudosismo. Apesar de Acapulco não aparecer traduzido como Guarujá em português, foram adicionadas algumas fases ambientadas no Brasil – uma que passa pelo meio do estádio do Maracanã e um clone de Rainbow Road pelo céu da Cidade Maravilhosa (provando que os criadores sabiam do potencial do país como consumidor do game). Mas as fases temáticas da série não decepcionam, como Tangamangapio. Além de oferecer algumas modalidades extras de competição multiplayer e desafios (esses últimos destravam novas pistas), os Torneios destravam mais personagens e são compostos de múltiplas corridas, com uma delas usando algumas variação de Time Trial. A variedade de estilo é bem-vinda, mas muitas vezes a dificuldade não é balanceada de acordo com o resto do torneio.

As mecânicas gerais do jogo não escapam muito do esperado. Como as pistas tendem a ser exageradamente estreitas, as derrapagens (Drift) se provam traiçoeiras. A mecânica de derrapagem é a mesma de Mario Kart, que vira um turbo se você conseguir queimar o pneu por certos intervalos durante curvas. O que é diferente é a mecânica de pulo, talvez um dos maiores problemas do jogo: um botão permite aos carros darem um breve salto, quase imperceptível em terreno plano, mas essencial nas fases com buracos na pista. Infelizmente, a gravidade do jogo é estranha, com os carros planando e fazendo das pistas sem laterais um exercício de paciência.

Mesmo com belos efeitos, o desempenha inconsistente fere o game

Mesmo com belos efeitos, o desempenha inconsistente fere o game

No geral, o jogo mostra uma execução competente do estúdio colombiano Efecto, mas com alguns problemas sérios. No geral o game mantem uma boa taxa de quadros, essencial para a resposta de um jogo de corrida agitado, mas em diversos casos ela cai para níveis desastrosos. Um exemplo que afeta negativamente a partida é na modalidade de coletar moedas (opção multiplayer na qual o vencedor é o primeiro a coletar 100 delas), com as moedas surgindo na tela apenas quando você está muito próximo delas.

Como no original, Chaves Kart tem um certo charme pelo seu baixo orçamento, mas o impacto na jogabilidade acaba sendo um defeito difícil de ignorar. O fator de ver um personagem latino-americano como protagonista de game – ainda mais um tão icônico – certamente diferencia o jogo. Mas tendo em vista o que é oferecido, seria melhor posicionar o game por um preço mais acessível.

Ficha técnica
Chaves Kart
Plataformas: PlayStation 3, Xbox 360
Desenvolvedor: Efecto Studio
Publisher: Slang

Author, freelance videogame journalist, cinematography major and a little insane.

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